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Crescimento do Mercado de Apostas em Portugal – De 2015 ao Ponto de Maturidade

Gráfico de crescimento ascendente com bola de futebol no topo sobre fundo branco

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De Zero a 1,2 Mil Milhões – A Trajectória do Mercado

Em 2015, o mercado regulado de apostas online em Portugal não existia. Em 2024, ultrapassou pela primeira vez a marca de mil milhões de euros em receita bruta. Em 2025, atingiu 1.206 milhões de euros. Uma década bastou para construir um mercado que gera mais de 23 mil milhões de euros em volume total de apostas por ano – uma média de 63 milhões de euros por dia.

Esta trajectória é extraordinária por qualquer métrica. Mas o número que a maioria ignora é o que conta a história mais importante: o crescimento anual em 2025 foi de 8,49% – o mais baixo de sempre. O mercado cresce, mas desacelera. E o que isto significa para o apostador é diferente do que significa para o operador.

Fases de Crescimento – Expansão, Consolidação e Maturidade

O mercado português de apostas online passou por três fases distintas desde a regulamentação.

A fase de expansão – entre 2015 e 2019 – foi marcada pela entrada de operadoras internacionais, pela criação da base de clientes e por taxas de crescimento acima dos 30% anuais. Tudo era novo: os apostadores descobriam o mercado legal, as operadoras investiam massivamente em marketing e os bónus de boas-vindas eram generosos como nunca mais seriam.

A fase de consolidação – entre 2020 e 2023 – foi impulsionada paradoxalmente pela pandemia. O confinamento acelerou a migração para o digital, os apostadores que nunca tinham experimentado o online fizeram-no por falta de alternativas, e o mercado cresceu em volume e em número de operadoras activas. O quarto trimestre de 2024 registou uma receita bruta recorde de 323 milhões de euros, um aumento de 41% face ao período homólogo. Foi o pico – e os picos, por definição, antecedem descidas.

A fase de maturidade – que identifico como tendo começado em 2025 – é a que vivemos agora. O crescimento das receitas brutas de apostas desportivas à cota fixou-se nos 3,23% – o menor de sempre. O volume total de apostas desportivas caiu 0,90%, passando de 2.053,3 milhões para 2.034,9 milhões de euros. Pela primeira vez, o mercado de apostas desportivas em Portugal não cresceu em volume – encolheu ligeiramente.

A Desaceleração de 2025 – Dados e Interpretação

Em 2025, foram criadas 910 mil novas contas – menos 21,8% do que em 2024. O abrandamento não é apenas no dinheiro; é nos novos utilizadores. O mercado está a aproximar-se da saturação da base potencial de clientes, e cada novo registo é mais caro de adquirir.

A desaceleração tem múltiplas causas. A primeira é estrutural: num país com pouco mais de dez milhões de habitantes e cerca de cinco milhões de contas registadas, o espaço para crescer é matematicamente limitado. A segunda é competitiva: o mercado ilegal continua a absorver 40% dos jogadores, e a migração desses jogadores para o mercado legal não está a acontecer ao ritmo necessário para compensar a saturação do segmento legal. A terceira é regulatória: a carga fiscal de 25% sobre a receita bruta limita a capacidade das operadoras de oferecer condições mais atractivas.

Para o apostador, a desaceleração manifesta-se de formas subtis. Os bónus de boas-vindas são menos generosos. As promoções recorrentes são menos frequentes. As odds, que beneficiavam de uma competição feroz por novos clientes, estabilizaram – e, em alguns mercados, tornaram-se menos competitivas. O mercado continua a funcionar, mas a era de ouro das condições excepcionais para o apostador está a terminar.

Há um indicador que sigo com atenção: a margem média das operadoras. Se as margens começarem a subir de forma consistente – acima dos 22-25% que observámos em 2025 – é sinal de que as operadoras estão a compensar a falta de crescimento com extracção de mais valor de cada aposta. Para o apostador, isto significaria que o mesmo nível de análise produziria resultados piores. Até agora, a pressão competitiva entre as 18 operadoras licenciadas tem mantido as margens dentro de limites razoáveis – mas num mercado que deixa de crescer, essa pressão pode aliviar.

O Que Os Dados Sugerem Para o Futuro Próximo

A previsão do Grand View Research para o mercado europeu de apostas desportivas aponta para um crescimento anual composto de 10,6% até 2030. Portugal pode participar deste crescimento, mas o ritmo dependerá de factores que estão fora do controlo do apostador.

Se a carga fiscal for revista em baixa – como a APAJO tem pedido – as operadoras poderão oferecer odds mais competitivas, o que atrairia jogadores do mercado ilegal e reactivaria o crescimento. Se a regulamentação se expandir para incluir novos produtos – como apostas em eSports – o mercado ganha um segmento adicional. Se nenhuma destas alterações acontecer, o crescimento será orgânico e modesto – talvez 3-5% ao ano, em linha com o que 2025 mostrou.

O cenário mais provável, na minha leitura, é de estabilização. O mercado não vai encolher significativamente – o consumo de apostas está demasiado enraizado para isso – mas não vai duplicar numa década sem mudanças estruturais. Para o apostador, isto significa um mercado maduro, com condições estáveis, onde a vantagem vem da análise e da disciplina, não de promoções excepcionais ou de ineficiências grosseiras na precificação. Para quem quer perceber como navegar um mercado com estas características, a construção de uma estratégia de apostas sustentável é mais relevante do que nunca.

O Mercado Que Cresceu Rápido Agora Precisa de Crescer Bem

A história do mercado de apostas em Portugal é uma história de crescimento notável – de zero a 1,2 mil milhões em dez anos. Mas o crescimento rápido tapa falhas que a maturidade expõe: a dependência de aquisição de novos clientes em vez de retenção, a presença massiva do mercado ilegal, a carga fiscal que limita a competitividade. O mercado do futuro não será definido pela velocidade de crescimento, mas pela qualidade – e é essa qualidade que determina se o apostador tem condições justas para operar.

O mercado português de apostas ainda está a crescer?

Sim, mas ao ritmo mais lento de sempre. As receitas brutas totais do jogo online cresceram 8,49% em 2025, e as receitas de apostas desportivas à cota cresceram apenas 3,23%. O volume total de apostas desportivas diminuiu 0,90% – a primeira contracção de sempre. O mercado está em fase de maturidade, com crescimento modesto e sinais de saturação da base de clientes.

A desaceleração de 2025 significa que o mercado vai encolher?

É improvável. A desaceleração reflecte a maturidade natural de um mercado que cresceu rapidamente desde 2015 e está a aproximar-se da saturação. O consumo de apostas está enraizado nos hábitos de milhões de portugueses. O mais provável é uma estabilização com crescimento modesto – 3-5% ao ano – salvo alterações regulatórias significativas como a revisão da carga fiscal ou a abertura de novos segmentos de produto.

Criado pela redação de «Apostas de Futebol em Portugal».