Novas Contas de Apostas em Portugal – Tendência de 2025 e o Que Significa

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910 Mil Novas Contas – Menos 21,8% e o Sinal Que Isso Dá
Em 2025, foram criadas 910 mil novas contas nas plataformas de jogo online em Portugal. Parece muito – e é. Mas quando comparado com 2024, é menos 21,8%. Uma queda de mais de um quinto no número de novos registos. Pela primeira vez desde a regulamentação do mercado em 2015, a tendência de crescimento na aquisição de novos clientes inverteu-se de forma significativa.
Ricardo Domingues, presidente da APAJO, caracterizou esta trajectória como a confirmação de uma tendência progressiva de desaceleração que se acentuou de forma marcada em 2025, indicando que o sector entrou numa fase de maior maturidade. A palavra-chave é “maturidade” – um eufemismo elegante para dizer que o mercado está a ficar sem espaço para crescer ao ritmo a que crescia.
A Curva de Novos Registos Desde a Regulamentação
Os primeiros anos do mercado regulado foram de crescimento explosivo. As operadoras investiam massivamente em publicidade, os bónus de boas-vindas eram generosos, e cada português que ouvia falar de apostas online era um potencial novo cliente. O número total de jogadores registados cresceu de forma constante, atingindo cerca de cinco milhões em 2025.
No segundo trimestre de 2025, o número de jogadores registados era de 4,9 milhões, com um crescimento de 9,9% face ao período homólogo. O stock de contas continua a crescer – mas o fluxo de novas contas desacelera. É a diferença entre a velocidade e a aceleração: o mercado move-se, mas está a travar.
Num país com dez milhões de habitantes e considerando que a população menor de 18 anos está excluída, cinco milhões de contas representam uma taxa de penetração teórica extraordinária – superior a 60% da população adulta. Na prática, há duplicações significativas – um apostador com contas em três operadoras conta três vezes. Mas mesmo descontando duplicações, a penetração é elevada. E quanto mais elevada é a penetração, mais caro e mais difícil é atrair cada novo cliente.
As implicações para o apostador são indirectas mas reais. As operadoras que dependiam do crescimento de novos clientes para rentabilizar os investimentos em marketing estão a ser forçadas a mudar de estratégia – de aquisição para retenção. Isto traduz-se em menos bónus de boas-vindas espectaculares e mais programas de fidelidade; menos promoções de primeiro depósito e mais ofertas para clientes existentes. O mercado torna-se menos generoso para quem chega e potencialmente mais estável para quem já está.
Autoexclusão em 2025 – A Primeira Queda de Sempre
No final de 2025, o total de contas autoexcluídas atingiu 361 mil, com o menor crescimento homólogo de sempre – 23,6%. Mais revelador: as novas autoexclusões diminuíram 1,06% face ao ano anterior. É a primeira vez que o número de novas autoexclusões desce.
A leitura deste dado não é linear. Pode significar que menos pessoas estão a desenvolver problemas com o jogo – o que seria positivo. Pode significar que os apostadores que precisam de se autoexcluir estão a migrar para plataformas ilegais onde a autoexclusão não existe – o que seria preocupante. Pode significar que as ferramentas de prevenção – limites de depósito, alertas de actividade – estão a funcionar e a interceptar problemas antes da autoexclusão – o que seria óptimo.
O mais provável é uma combinação das três explicações. O mercado amadurece em todos os sentidos – menos crescimento, menos novos problemas reportados, mas também menos visibilidade sobre os problemas que migram para fora do sistema regulado. Os 40% de jogadores em plataformas ilegais são um ângulo morto nestes dados – e é nesse ângulo morto que os problemas não contabilizados se acumulam.
Maturidade ou Saturação? – Como Interpretar os Dados
A diferença entre maturidade e saturação é subtil mas importante. Um mercado maduro é saudável – crescimento estável, base de clientes consolidada, operadoras rentáveis, regulação eficaz. Um mercado saturado é estagnado – sem espaço para crescer, com operadoras a competir por uma base fixa de clientes e a comprimir margens até ao limite da viabilidade.
Portugal está, na minha leitura, na fronteira entre os dois. Os sinais de maturidade são claros: crescimento positivo mas desacelerado, base de clientes enorme, regulação estabelecida. Os sinais de potencial saturação também existem: queda no volume de apostas desportivas, redução acentuada de novos registos, pressão sobre as margens.
Para o apostador, a distinção importa. Num mercado maduro, as condições são previsíveis e a vantagem vem da qualidade da análise. Num mercado saturado, as operadoras podem aumentar margens para compensar a falta de crescimento – o que torna as apostas progressivamente menos favoráveis. Monitorizar a evolução das margens ao longo dos próximos trimestres será a melhor forma de distinguir maturidade saudável de saturação prejudicial.
O contexto europeu oferece alguma perspectiva. O mercado europeu de jogo atingiu 123,4 mil milhões de euros em 2024 e continua a crescer. Portugal, com as suas especificidades – carga fiscal alta, mercado ilegal significativo, base de clientes proporcionalmente enorme – pode ter atingido o tecto de crescimento orgânico mais cedo do que outros mercados europeus. A questão é se as alterações regulatórias – revisão fiscal, combate ao mercado ilegal, abertura de novos produtos – podem reabrir espaço para crescimento, ou se o mercado vai estabilizar ao nível actual. Para quem quer perceber como o mercado se compara com o contexto europeu mais amplo, a análise sobre jogo responsável e protecção do apostador em Portugal mostra o outro lado desta maturidade.
Os Números Não Mentem – Mas Precisam de Quem Os Leia
910 mil novas contas, 361 mil autoexcluídas, 5 milhões de registos totais. São números que, isolados, contam histórias diferentes. Juntos, pintam o retrato de um mercado que cresceu depressa, que amadureceu mais depressa ainda, e que agora precisa de encontrar o próximo capítulo. Para o apostador, a conclusão é pragmática: o mercado que existe hoje é o mercado onde vai operar amanhã. Adaptação e disciplina valem mais do que nostalgia pelos bónus de 2018.
A queda nas novas contas significa que menos pessoas estão a apostar?
Não necessariamente. O número total de jogadores registados continua a crescer – atingiu cerca de cinco milhões em 2025. A queda nas novas contas indica que o ritmo de entrada de novos apostadores está a abrandar, o que é expectável num mercado com elevada penetração. A maioria das pessoas que queria criar conta já o fez. O que pode estar a mudar é a distribuição entre mercado legal e ilegal, com novos apostadores a encontrar plataformas não licenciadas antes de chegarem às operadoras reguladas.
A primeira queda nas autoexclusões é um sinal positivo ou negativo?
A resposta não é linear. Pode ser positiva – indicando que menos apostadores estão a desenvolver problemas graves. Pode ser negativa – indicando que apostadores problemáticos estão a migrar para plataformas ilegais onde a autoexclusão não existe. E pode reflectir simplesmente a maturidade do mercado – com menos novos utilizadores, há menos novos casos de jogo problemático. O mais provável é uma combinação dos três factores, e a ausência de dados sobre o mercado ilegal torna impossível determinar qual predomina.
Criado pela redação de «Apostas de Futebol em Portugal».
