O Mercado Português de Apostas no Contexto Europeu – Dados Comparativos

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Um Mercado de 1,2 Mil Milhões Dentro de Um de 123 Mil Milhões
O mercado europeu de jogo atingiu 123,4 mil milhões de euros em receita bruta em 2024 – um crescimento de 5% face a 2023. Portugal, com as suas receitas brutas de 1.206 milhões de euros em 2025, representa cerca de 1% desse total. É um mercado pequeno à escala europeia. Mas é um mercado com características que o tornam singular – e que afectam directamente o apostador que opera dentro dele.
Maarten Haijer, secretário-geral da EGBA, notou que o jogo online está a aproximar-se da paridade com o jogo presencial na Europa, com o online a representar já 39% do total em 2024. Em Portugal, essa transição já aconteceu: o online representa cerca de 80% do GGR total do país. Portugal está à frente da curva europeia neste aspecto – o que significa que o mercado digital português é, proporcionalmente, mais maduro do que o da maioria dos congéneres.
GGR, Quota Online e Crescimento – Portugal Face à Europa
A comparação entre Portugal e o mercado europeu revela contrastes significativos. O mercado europeu de apostas desportivas gerou 20,1 mil milhões de euros em GGR em 2024, com 13,7 mil milhões gerados online. Portugal, com os seus 447 milhões de euros em receitas brutas de apostas desportivas à cota em 2025, representa uma fatia modesta – mas com uma taxa de digitalização bem acima da média.
O crescimento do mercado português desacelerou. As receitas brutas totais cresceram 8,49% em 2025 – o ritmo mais baixo de sempre. Na Europa, o crescimento global foi de 5% em 2024. Portugal ainda cresce mais depressa do que a média europeia, mas a diferença estreita-se. Ricardo Domingues, presidente da APAJO, confirmou esta leitura ao caracterizar 2025 como o ano em que o mercado entrou numa fase de maior maturidade.
Esta maturidade tem consequências para o apostador. Num mercado em crescimento rápido, as operadoras competem agressivamente por novos clientes – com bónus, odds melhoradas e promoções. Num mercado maduro, a competição muda de natureza: menos ofertas de aquisição, mais foco em retenção e rentabilidade. Para o apostador, isto traduz-se em condições ligeiramente menos generosas do que as que existiam há três ou quatro anos.
A previsão do Grand View Research para o mercado europeu de apostas desportivas aponta para um crescimento anual composto de 10,6% até 2030. Se Portugal acompanhar esta tendência – o que não é garantido, dado os sinais de maturidade – o mercado pode duplicar de dimensão na próxima década. Mas o ritmo de crescimento, mais do que o tamanho absoluto, é o que determina a dinâmica competitiva entre operadoras e, consequentemente, as condições para o apostador.
Fiscalidade Comparada – Portugal Tem Uma das Taxas Mais Altas
A taxa de 25% sobre a receita bruta que os operadores pagam em Portugal é uma das mais altas da Europa. O impacto desta realidade na experiência do apostador é indirecto mas mensurável.
Numa operadora que paga 25% de imposto sobre cada euro de receita bruta, a pressão para manter margens elevadas é estrutural. Comparar as odds de uma operadora portuguesa com as de uma operadora licenciada em Malta ou Gibraltar – onde as taxas são significativamente mais baixas – é um exercício revelador. A mesma operadora, no mesmo jogo, pode oferecer odds diferentes dependendo da jurisdição a partir da qual o apostador acede.
Para o apostador português, esta é uma realidade inescapável do mercado regulado. As odds são menos competitivas porque o custo regulatório é mais alto. A alternativa – apostar em operadoras não licenciadas para aceder a odds melhores – traz riscos que ultrapassam em muito a diferença de preço, como a análise do mercado ilegal em Portugal demonstra.
O debate sobre a revisão da carga fiscal está activo. A APAJO tem argumentado que a redução da taxa tornaria o mercado legal mais competitivo face ao ilegal – onde 40% dos jogadores continuam a operar. Outros países europeus ajustaram as suas taxas ao longo dos anos, e a tendência geral é de convergência para níveis que equilibrem receita fiscal com competitividade do mercado. Se Portugal seguir esta tendência, o apostador poderá beneficiar de odds ligeiramente melhores no futuro.
O Domínio do Móvel na Europa e em Portugal
Os dispositivos móveis geraram 58% das receitas de jogo online na Europa em 2024, acima dos 56% em 2023. Portugal acompanha e provavelmente supera esta tendência, dada a alta taxa de penetração de smartphones e a juventude da base de apostadores – 77% dos jogadores têm até 45 anos, com 34,9% na faixa dos 18 aos 24.
O domínio do móvel não é apenas uma estatística de mercado – é uma mudança comportamental com consequências nas apostas. Apostar pelo telemóvel é mais rápido, mais impulsivo e menos reflexivo do que apostar num computador. O apostador móvel tende a fazer decisões mais rápidas, a consultar menos dados e a apostar mais ao vivo. Para as operadoras, isto é positivo – a impulsividade gera receita. Para o apostador, é um factor de risco que exige disciplina redobrada.
A experiência móvel varia significativamente entre operadoras e entre países. As operadoras que operam em mercados maiores – Reino Unido, Alemanha, Itália – investem mais no desenvolvimento das apps, o que se reflecte em funcionalidades que as operadoras centradas no mercado português podem não oferecer. A comparação entre casas de apostas em Portugal inclui a dimensão móvel como critério de avaliação, porque no mercado de 2026, uma app fraca é uma operadora fraca.
Pequeno Mas Singular – O Lugar de Portugal no Mapa Europeu
Portugal não é o maior mercado de apostas da Europa. Não é o mais liberal nem o mais competitivo em termos de odds. Mas é um mercado com uma taxa de digitalização acima da média, uma regulação clara e uma concentração no futebol que o torna, para o apostador especializado, um terreno com regras definidas. Conhecer o contexto europeu – a fiscalidade comparada, as tendências de crescimento, o domínio do móvel – permite ao apostador português perceber o que é estrutural e o que é conjuntural no mercado em que opera.
Portugal tem um dos mercados de apostas mais regulados da Europa?
Sim. O modelo de licenciamento do SRIJ é um dos mais restritivos da Europa, com apenas 18 entidades autorizadas – comparado com centenas no Reino Unido. A taxa de imposto de 25% sobre a receita bruta é também uma das mais altas do continente. Esta regulação cria um mercado com menos operadoras mas com obrigações mais exigentes em matéria de protecção do jogador, reporte de dados e transparência.
Qual a quota do online no mercado total de jogo em Portugal?
O jogo online representa aproximadamente 80% do GGR total do jogo em Portugal – uma das percentagens mais altas da Europa, onde a média se situa nos 39%. Esta proporção reflecte a maturidade digital do mercado português e a forte penetração de smartphones na população, especialmente nas faixas etárias mais jovens que dominam a base de apostadores.
Criado pela redação de «Apostas de Futebol em Portugal».
